07/08/2009 - Síndrome de Down - A SAÚDE

A medicina através de intervenções precoces tem contribuído para a humanidade viver melhor.Os portadores da Síndrome de Down talvez estejam entre aqueles que mais se beneficiaram destes avanços. O interesse por estas pessoas levou a estudos através de acompanhamentos clínicos, que possibilitaram entendê-los melhor, traçar condutas com visão de antecipação dos agravos, e o resultado não foi outro, senão o de um ganho em qualidade e longevidade de vida.

O portador da Síndrome de Down deve ter um protocolo de abordagem. As variações podem existir de um serviço para outro, mas a essência deve guardar uma avaliação a mais ampla e que ofereça segurança para o crescimento e desenvolvimento destes pacientes.

Ao nascimento os cuidados relativos a todos recém-nascidos devem ser assumidos: Aleitamento Materno, Imunização com vacinas especiais inclusive, Teste do Pezinho (triagem neonatal), Teste da Orelhinha (emissão de ondas Oto acústicas), Teste do Olhinho. Com ou sem necessidade imediata acresce-se exame cardiológico (Eletro e Eco cardiograma), RX do Tórax para avaliação cardiológica e má formação das costelas.

Muita atenção deve ser dada a audição. Existem escolas que com o Teste da Orelhinha normal não avançam na investigação, outras usam exames de maior especificidade como o Potencial Evocado Auditivo.

Temos mantido no Serviço Público a rotina de somente solicitar cariótipos em casos suspeitos, em função da facilidade do diagnóstico sindromico e das dificuldades de custeio do exame principalmente no serviço público.

Imediatamente após o nascimento se as condições clínicas permitirem deve-se iniciar o estimulo multidisciplinar principalmente com fonoterapeuta, fisioterapeuta e psicólogo. No nosso Serviço iniciamos a partir do 6º mês de vida avaliação clínica/laboratorial semestral que inclui RX simples de coluna cervical em perfil para estudo da articulação de 1ª e 2ª vértebras cervicais, Dosagem de Hormônios Tireoidianos, Hemograma, Glicemia e Creatinina.

Nos escolares, pré púberes, adolescentes e adultos acresce-se a Dosagem de Colesterol Total e Frações, Triglicerídeos e Ácido úrico.

As avaliações oftalmológicas e cardiológicas até o 7º ano são anuais. O RX de Coluna Cervical realizamos em tenra idade e na pré-puberdade.

Nas queixas de dor abdominal sem achado clínico importante incluímos a Ultrassonografia de Abdome como exame de auxílio diagnóstico e de estudo da vesícula biliar e Rim. porque nestes pacientes é mais freqüente o surgimento de Cálculos Biliares e má formações do Trato Urinario.

Como os problemas respiratórios são freqüentes, desordens respiratórias podem exigir intervenções diagnósticas de maior precisão com alergistas, otorrinolaringologistas e especialistas em Medicina do Sono.

Nos adultos homens incluímos a rotina do PSA a partir dos 30 anos para o diagnostico precoce do Câncer de Próstata. Nas meninas os exames ginecológicos preventivos iniciam-se aos 25 anos de idade.

Saliento que os portadores da Síndrome de Down têm direito a Imunização especial que devem ser garantidas nos serviços públicos de saúde.

De maneira geral são estes os cuidados básicos e fora deste contexto, as doenças devem ser abordadas de maneira semelhante a qualquer pessoa.

Como comentário final, lembro que o desenvolvimento (aptidão neuropsicomotora) dos portadores da Síndrome de Down tem particularidades que devem ser conhecidas por todos que convivem com eles.

Só para lembrar, sentar-se aos 8 meses, engatinhar aos 16 meses, andar aos 24 / 30 meses, emitir palavras aos 18 meses ,ter controle miccional aos 4/5 anos, ficar de pé aos 2 anos, são algumas das situações, plenamente dentro de uma normalidade e que não devem trazer nenhuma angústia e ansiedade adicional aos pais e familiares. Eis a verdade:
Ele pode demorar um pouco mais, mas chegará lá !!