08/09/2009 - O que a adolescência pode provocar nos pais

A adolescência é um período da vida por que todos passamos, de muitas turbulências, descobertas, questionamentos e definições.

Falar sobre a adolescência tornou-se algo comum, mas, pouco se fala sobre as provocações e incômodos que esta fase produz nos pais.

Convidei a Drª Maria Teresa Paletta Crespo - Hebiatra (médico que cuida de adolescentes) para que com sua experiência, nos relatasse sua visão e percepção desta relação e suas provocações nos pais.

É um texto interessante para a reflexão de todos nós e que nos auxiliará a entender parte de uma etapa da vida de todos nós.


TEXTO
Quando se atende adolescentes, observa-se em algumas ocasiões, uma grande preocupação dos pais em relação às mudanças de comportamento, de humor e de atitudes do filho, que os leva a tomar a iniciativa da procurar uma consulta, muitas vezes até contra a vontade do jovem.

Nestes casos, o cliente comparece de mau humor, responde às perguntas com má vontade se fechando num mutismo difícil de ser rompido.

Quando a mãe ou o pai termina de enumerar as preocupações pergunto ao filho qual o motivo da consulta e a resposta é muitas das vezes surpreendente: Eu não sei, ela que quis me trazer!

Nesta situação podemos confirmar o quanto todas as queixas dizem respeito muito mais aos pais que ao filho.

A questão é que conviver com um filho adolescente, reativa em nós pais, a nossa própria adolescência.

Se formos capazes de relembrar todas as turbulências que ocorreram e que geralmente ocorrem para a maioria das pessoas neste período, poderemos entender e ajudar melhor os nossos filhos.

Estas turbulências têm a ver com a aceitação de um corpo em processo de mudanças contínuas, com as manifestações da sexualidade, com as dificuldades de relacionamento com o sexo oposto e também com a insegurança em relação a cumprir as expectativas que os pais depositam nos filhos.

Considero este aspecto muito importante, porque observamos que nós pais, através de suas queixas em relação ao filho, demonstram terem esquecido que passaram pelo mesmo período, ou que talvez não tenham conseguido lidar bem com a própria adolescência.

Uma outra realidade é que ter um filho adolescente sinaliza aos pais que eles próprios estão passando para uma nova etapa da vida, quer dizer, já não são mais tão jovens e tem que obrigatoriamente se defrontar com tudo que isso implica.

Enquanto seu filho ou nossa filha adquire um corpo musculoso, bem proporcionado, temos que nos defrontar com o aparecimento das primeiras rugas e a possibilidade da velhice.

Enquanto as oportunidades estão se ampliando para eles, estão se estreitando para nós pais, já que aquelas oportunidades que por acaso desperdiçamos não podem ou são agora mais difíceis de serem retomadas.

Além disso, para que o filho cresça e adquira autonomia, vai ter inevitavelmente que descobrir que os pais não são aquelas pessoas onipotentes e super poderosas que o foram na infância.

Para os pais, aceitar sair desta posição, ver o próprio poder colocado em dúvida, provoca muita insegurança e às vezes muita raiva. Daí o conflito que perturba a paz familiar.

Se formos capazes de chegar a este momento mantendo a coragem para reconhecer e trabalhar a raiva, insegurança e a perplexidade que um filho adolescente pode suscitar e principalmente ter a abertura para reconhecer este filho como pessoa diferente com direito à autonomia, este período poderá ser vivido como oportunidade de renovação e crescimento para ambos os lados, pais e filhos!


Após toda a tempestade, nós pais, teremos nos tornado mais jovens!