26/08/2009 - Algumas Conclusões Preliminares Sobre o Surto Gripe Suína = H1N1

Como nova doença, algumas conclusões podem ser efetivadas e outras ainda surgirão com o tempo.

Em recente debate dos médicos da UNIFESP, Dr. Clystenes Silva e Dr. Eduardo Medeiros, Pneumologista e Infectologista respectivamente, trouxeram algumas destas conclusões. Retirei as mais importantes. A cada uma delas farei um comentário.

1 – PREVISÃO DO SURTO: 30 milhões de brasileiros contrairiam a doença e teríamos 40 mil óbitos.

COMENTÁRIO: Felizmente esses números não se confirmaram. Como nova doença criou-se uma expectativa mais agressiva, porém a mortalidade ficou bem abaixo do estimado.

2 – SOBRE O VÍRUS: Tem sua reprodução como ponto mais alto nas primeiras 48 horas.

COMENTÁRIO: Por isso a medicação antiviral prescrita nas primeiras 48 horas é mais eficiente e produz melhores resultados, pois impede a reprodução maciça do vírus.

3 – AGRESSIVIDADE DA DOENÇA: Nas pessoas que adoeceram com gravidade as principais complicações foram as pulmonares com evolução rápida entre o 3º e 7º dia de doença.

COMENTÁRIO: Todas as doenças virais tornam as vias respiratórias baixas mais expostas. O que chama a atenção é a rápida evolução da doença no grupo que teve a doença na sua forma mais agressiva.

4 – GRUPOS MAIS AFETADOS: 60% dos que tiveram esta gripe tinham entre 20 e 40 anos de idade.

COMENTÁRIO: Não se sabe o porquê, mas pode-se especular que a população nesta faixa etária vive de maneira a expor-se mais socialmente e no trabalho, portanto sendo Grupo com maiores possibilidades de contaminação.

Outro fator seria a não cobertura vacinal anti Influenza nesta faixa da população. Esta não cobertura vacinal com maior incidência, nos jovens, pode também ser explicada quando comparada a uma menor incidência da doença em idosos, já que estes além de uma vida de maiores contágios com viroses, são anualmente vacinados.

5 – O COMPORTAMENTO DO VÍRUS H1N1: Estima-se que 60 a 80% das pessoas que tiveram gripe no Brasil este ano, tiveram por H1N1.

COMENTÁRIO: Estes dados são estatísticos, em função da impossibilidade de se fazer exame de todos os suspeitos. Como o comportamento deste vírus é idêntico ao da gripe comum no que diz respeito aos sintomas iniciais, somente alguns casos de maior gravidade passaram por diagnóstico laboratorial, que confirmassem a presença ou não do vírus H1N1.

6 – APRENDIZADO COM A DOENÇA: Importante a noção de como as doenças infecto contagiosas são transmitidas, principalmente as viroses.

COMENTÁRIO: Para os mais jovens, que vivem sem muitas regras, estes conhecimentos mudaram a postura quanto à prevenção.

O hábito de lavar as mãos quando chega em casa, ou após o uso de ambientes públicos, o risco do uso dos bebedouros, o cuidado das mãos, quanto a colocá-las na boca e nariz são algumas atitudes de mudança no comportamento que vão melhorar o resultado de prevenção para esta e outras doenças.

Para os Serviços Públicos, foi um bem sucedido exercício de como lidar com a doença e como estruturar os Serviços de Saúde.

7 – PERSPECTIVAS: Uma vacina em outubro de 2009 será disponibilizada para o hemisfério Norte (EUA, Europa principalmente) e para o Brasil no início de 2010.

COMENTÁRIO: As perspectivas são melhores, em função do vírus ter atingido um grande número de pessoas. Estas estarão imunes ao novo surto de H1N1. Associado a isso, teremos uma nova vacina que trará mais segurança na convivência com esta nova virose.

Dentre as novas estratégias talvez fosse interessante atentar para a necessidade de incluir como beneficiários da nova vacina crianças e adolescentes em função de se constituírem em grupo considerável de acometimento desta nova doença.